segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Para onde vai a juventude?




Acabo de chegar do mercadinho, que fica ao lado de minha casa, aonde sempre vou.  Hoje,  algo aconteceu e me deu vontade de escrever, como  um berro que não foi dado.
Um jovem bonito, esguio, cheio de vida, que ali estava com a mulher ou namorada, ficou na porta do mercado, tomando conta de seu cachorro, que colocou preso no  corrimão da escada que dá acesso ao mercado, do lado direito de quem sobe, onde, com certeza, ele e o animal, não necessariamente nesta ordem, estavam realmente atrapalhando a subida de pessoas idosas ou com alguma deficiência física ou visual, que necessitam do apoio do corrimão  e da passagem o mais livre possível. Ele ficou ali plantado,  com um ar aborrecido de quem achava mesmo tudo aquilo um saco.

Eu, por minha vez, com a minha dificuldade visual, me posicionei do outro lado e, com dificuldade, usei o meu braço esquerdo para subir as escadas.  No meio da porta de saída, tinha uma senhora idosa, com mais idade que ele, que logo me disse: - Oh minha  senhora! Quer  alguma ajuda? O jovem não se mexia do lugar e ela continuou: - Veja só, eu estava distraída!   Me desculpe não ter oferecido ajuda antes!  Eu agradeci a ela e terminei o percurso, pensando o que fez com que aquela senhora percebesse a minha necessidade e o rapaz não ter se dado conta dela. Isso me deu a certeza que cada vez mais tenho sobre os jovens: ELES  ESTÃO TOTALMENTE DESCONECTADOS  DO  MUNDO  E  DAS OUTRAS  PESSOAS! Eles  não conseguem mais observar a realidade de uma forma suave;  não se comprometem com nada;  não estão identificados com seus  semelhantes e não têm compaixão com nada, nem ninguém. Eu cheguei aos 49 anos, tendo ainda a possibilidade de encontrar  pessoas como aquela senhora, que teve pais que a ensinaram a olhar o próximo.  Este rapaz, quando chegar à minha idade ou à idade dela, só terá em seu caminho pessoas como ele, sem tempo, sem  amor ou compaixão para dar. É numa hora dessas, que penso que Deus deixou que a minha visão física fosse  dificultada,  para que eu pudesse ver, cada vez com mais  clareza, a alma humana e, que pena! O que vejo não é bom e, pelo contrário,  muitas vezes é assustador.

Sussuca Ferreira

Um comentário:

Anônimo disse...

Querida Sussuca, por onde andas!?
Queria voltar a encontrar-te, onde posso ir ter contigo!? Sou a Celina e mesmo que não te lembres de mim, manda-me a tua morada ou telemóvel para celveiga@gmail.com, que eu marco uma consulta contigo para conversarmos de novo sobre os caminhos que a vida! Beijos de saudades!